segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Dependência Emocional

    Quando falo em dependência, além da conhecida dependência química, pois é a esse assunto que remete, também existem outros tipos de dependências, e algumas pessoas me perguntaram sobre essa questão, então achei pertinente falar um pouco sobre isso. 
     Para começar vou colocar uma pergunta: "- Você depende de algo?"
     Na verdade, todos nós temos dependência em alguma situação, ou sentimento, e nem sempre a dependência é algo nocivo, ou que nos prejudique, mas como podemos saber se a dependência é destrutiva?
     Quero falar sobre dependência emocional, e muitas pessoas não percebem ou não aceitam que vivem uma dependência emocional. Não quero dizer que não podemos nos relacionarmos, mas de uma forma saudável.
    Precisar demais das pessoas pode causar problemas, pois isso deriva de uma insegurança emocional. Uma pessoa insegura necessita o tempo todo de aprovação, seja em qualquer aspecto, principalmente no relacionamento.
    Quando se precisa muito das pessoas, e acredita-se que não é merecedor de amor, atenção, e que as pessoas nunca estarão presentes, pode se tornar numa crença profundamente arraigada.
     A dependência emocional também pode causar problemas em relacionamentos que merecem ser preservados. Pode sufocar a si próprio e asfixiar ou até mesmo afastar o outro.
    Necessidade demais afasta outras pessoas, cria-se uma dependência da aprovação do outro para estabelecer a própria identidade.  


                                                                                Valéria Valente Chartone
                                                                                     Psicóloga - 57727

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A família que sofre


   Hoje gostaria de falar um pouco sobre a importância da Terapia. Você já parou para pensar que não é somente o adicto que precisa de tratamento?
   As pessoas que convivem com um dependente químico, ou alcoolista, sejam elas, pais, esposa, filhos, irmãos, também precisam buscar ajuda, e quando digo ajuda, é de alguém especializado, um psicólogo (a) que possa orientar na forma correta.
   Uma vez ouvi um pai dizendo que não aceitava buscar ajuda, pois não era ele quem havia usado drogas, e o único que precisava se tratar era o filho dependente químico. Será mesmo? Quais seriam os motivos dessa dependência do filho? Será que o pai não era responsável por nada? Digo aqui responsável, não culpado.
   As pessoas que convivem com um adicto, adoecem também e necessitam buscar ajuda, mas não para tratar a dependência do outro, mas para tratar a sua co-dependência.
   A mãe ou pai que criou expectativas em cima do filho, e que não ocorreram devido ao uso de substâncias psicoativas; a esposa que sonhou com um casamento perfeito e se frustrou ao longo do tempo devido ao alcoolismo do marido. Os filhos que desejavam ter um pai mais presente e sofrem com uma grande carência afetiva.
  Enfim, é possível enumerar muitas questões que podem vir a tona a qualquer momento, e o mais importante, é o familiar estar sendo cuidado, independente do adicto querer ou não tratamento, a família pode e deve buscar ajuda para si.


                                                                                         Valéria Valente Chartone
                                                                                              Psicóloga - 57727

terça-feira, 21 de agosto de 2018

A Família doente

  A Família doente


    Existe uma crença em torno do tratamento da dependência química de que quando o adicto está em tratamento, ou aceita se tratar, todos os problemas familiares serão resolvidos.
    Este pensamento se dá pela família voltar todas as suas expectativas para o adicto, sem olhar para suas próprias dificuldades.
     A família também precisa de apoio, tanto com terapia, como em grupos de auto-ajuda.
    É muito comum um adicto, após sair de uma internação, não conseguir se manter abstêmio, por não ter o apoio adequado, seja dos pais, da esposa (marido) ou filhos.
     Não importa qual a droga de preferência, o tratamento é o mesmo, pois tratamos a doença.
    A família precisa entender que o problema não está simplesmente no uso, claro, este traz muitas consequências, mas o comportamento precisa ter mudanças também.
    Em muitos casos, o adicto é o "bode expiatório" do núcleo familiar. A família precisa viver aquela situação para não olhar para os próprios problemas.
   Para muitas famílias é necessário manter aquela situação por medo das mudanças, medo das atitudes que precisa tomar diante da sua própria vida, independente da adicção existente.
    Ter coragem não é deixar de ter medo, mas é aprender a ter o controle sobre ele.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Terceiro Passo

       Terceiro Passo

      Pode parecer chavão, mas nunca é demais relembrar os Passos, pois eles são uma ferramenta muito importante no processo de recuperação.
      O Terceiro Passo fala de entrega, decisão, deixar a vida aos cuidados de um Poder Superior, da forma como o compreendemos.
      É através da boa vontade e da ação que se pratica esse passo.
      Quando falamos em tomar uma decisão, para muitos pode ser assustador, pois para o adicto pode ser algo que ele não faz a muito tempo. A adicção sempre tomou a decisão por ele, porque para a maioria era muito difícil a responsabilidade na resolução de qualquer questão.
      Ao mesmo tempo que o adicto tenta ter coragem para tomar decisões, está permitindo que algo ou alguém cuide dele, esta talvez seja a decisão mais importante, que é a de entregar suas vontades.
      Tomar decisões não é somente decidir, mas também colocar em prática aquilo que foi decidido, a ação é muito importante.
      Não se deve confundir tomada de decisão, com vontade própria, pois esta pode levar o adicto novamente ao auto engano, por acreditar que deve tomar as decisões segundo a sua vontade, e deixar de ouvir e analisar qualquer consideração diferente daquilo que se quer.
      A entrega na tomada de decisões é fundamental para continuar no caminho da abstinência.

      

Segundo Passo


Segundo Passo

     
    
      Quando um adicto aceita sua impotência perante a adicção e reconhece que havia perdido o controle de sua vida, isso traz um grande vazio, do qual o adicto acredita não terá mais fim, devido ao fundo do poço encontrado.
      O segundo passo chega para mostrar que há uma luz no fim do túnel, que um poder superior poderá devolver a sanidade até então perdida.
        É importante deixar claro que, o segundo passo e os demais, não tem ligação com religiosidade, nenhum adicto necessita estar ligado a uma religião para praticar os Doze Passos. Falar em Poder Superior não é falar de religião.
         O segundo passo traz a tona a questão da Sanidade. Durante muito tempo o adicto viveu de uma maneira insana, ou seja, teve as mesmas condutas tentando obter resultados diferentes. Uma característica muito forte no adicto, é cometer o mesmo erro diversas vezes, mesmo sabendo que o resultado será o mesmo, não se importa com as consequências, acredita que a satisfação imediata, de alguma maneira, vale o preço.
     Cada pessoa tem uma história de vida, tem as suas experiências, dessa forma, cada um vai conceber o Poder da forma que o entender. O mais importante é o adicto acreditar que funciona, e que existe um Poder Superior maior que ele.Um ponto importante, é o adicto não permitir que a adicção continue controlando sua vida,
        É necessário ter maturidade, e acreditar que é possível fazer escolhas.
        
         
         

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Primeiro Passo

     Primeiro Passo


     Quando falamos em tratamento para a dependência química, logo relacionamos com os Doze Passos do NA/AA. Mas falar em Doze Passos é fácil, pois o difícil é coloca-lo em prática.
      Na  minha prática em Comunidades Terapêuticas, percebo que muitos internos sabem muito sobre os Doze Passos, mas não conseguem vivenciá-los.
       Para tanto, vou falar um pouco sobre o Primeiro Passo, que convenhamos, é o mais importante deles, pois enquanto não se admite a impotência perante a adicção, e que a vida se tornou incontrolável, não é possível seguir adiante.
       O dependente químico precisa entender o que a "doença adicção' representa para ele, pois não é a droga que o torna um adicto, e sim a doença, sendo a adicção uma doença.
       A maior dificuldade para enfrentar e aceitar o Primeiro Passo é a Negação. O adicto não aceita que tem uma doença, e que precisa de ajuda. Coloca nos outros todas as suas dificuldades, se compara com outros adictos, minimizando seu uso e as consequências do mesmo. Acredita ter o controle do uso.
       Mesmo o adicto que está internado não quer dizer que está em tratamento, pois se não houve ainda uma rendição, está apenas adiando mais sofrimento.
       Se ainda houver reservas, ou seja, pensar que após o tratamento pode continuar o uso controlado, e mesmo assim não ter prejuízos, ainda não houve aceitação para mudanças.
       Enquanto não houver o "fundo do poço", que seria perder amigos, relacionamento, emprego, e tudo parecer perdido, pois é aí que se encontra o princípio para uma recuperação, é necessário passar pela dor, pois ela é a mola propulsora para a recuperação.
        No Primeiro Passo é necessário aceitar que se é impotente perante a adicção, e que a vida se tornou incontrolável.
       Existe quatro princípios básicos para a recuperação, sendo eles: Humildade, Honestidade, Mente Aberta e Boa Vontade.
      Somente após aceitar que é necessário uma nova maneira de viver, e reconhecer os resultados de uma velha maneira, é possível seguir em frente, e assim preencher com os passos seguintes o vazio que sente.
      
   
      

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Dependência química - "A doença do ainda".

      Muitas pessoas quando ouvem falar num usuário de drogas, acreditam que esta pessoa esteja desempregada, perambulando pelas ruas suja, magra, sem destino, já não tenha mais família... tudo de ruim é imaginado. Mas não é bem assim, um dependente químico, ou alcoolista, na maior parte das vezes tem casa, família, trabalho, e usa drogas ou bebe. É claro que existem muitos que já perderam tudo sim!
      Essa pessoa acredita que, pelo fato dela trabalhar, pagar as contas de casa, pode beber o quanto quiser e até mesmo usar droga de uma forma controlada, claro, a ilusão é de que sempre se está no controle.
       Esse é o discurso de muitos adictos, que minimizam sua doença, dizendo que trabalham, que nunca roubaram, não trocaram objetos de sua casa, mas o fato do dependente nunca ter feito isso, ou melhor, ainda não ter feito isso, não ameniza a doença.  
       Quando um adicto passa por um processo de tratamento, e logo depois recai, não importa o tempo que este permaneceu em abstinência (dias, meses ou anos), o retorno é de onde parou. Costumo dar o exemplo da vela, que uma vez acessa, nunca mais fica inteira, assim é a dependência, quando o adicto recai, ele volta de onde parou.
          A recaída é sempre pior, e cada vez mais progressiva, e aquela pessoa que, até então, não havia gastado todo seu salário com droga, acaba por fazer;quem não havia roubado dentro de casa, ou trocado seus pertences ou da família, passa a fazer.    
          O senso crítico deixa de existir e a pessoa passa a ter comportamentos que ainda não haviam sido vistos pela família, ou pelas pessoas que estão por perto.
             Por isso dizemos, que a dependência é a doença do "ainda", porque quando se está em tratamento, muitos pacientes minimizam a doença dizendo que não cometeram nada grave, mas ainda não tiveram atitudes que os levassem para o fundo do poço, e as vezes, de uma maneira irreversível.