quarta-feira, 8 de março de 2017

Grupo de Apoio

  
   Existem vários tipos de grupos de apoio ou de ajuda, para lidar com vários problemas específicos. Vou falar sobre grupos de apoio para familiares de dependentes químicos.
   O grupo é o local onde existe troca de experiências do dia a dia, aprendizagem sobre a dependência química, em específico. As pessoas passam a ter acesso à informações relacionadas à adicção, aprendem sobre o comportamento do adicto, e acima de tudo, aprendem a lidar com suas próprias angústias, sua ansiedade, seus medos, suas carências, e principalmente aprendem sobre a Co-dependência, o que é de fundamental importância; pois a família precisa dizer o que sente diante das situações vividas, precisa entender que não está sozinha e não é a única a passar por esse tipo de experiência.
   A família precisa se sentir acolhida, ouvida, e também, precisa ouvir outras experiências, pois isso irá fortalecer muitas decisões que sejam necessárias.
   E para que um dependente químico tenha sucesso em seu tratamento, é de fundamental importância que a família também esteja se tratando, pois só assim é possível compreender todas as fases do processo de recuperação.

terça-feira, 7 de março de 2017

Liberdade

   Tem coisa melhor que nossa liberdade?  Poder se expressar, ser quem você é.
   Sermos livres é algo que devemos preservar. Não sermos ou estarmos livres não significa somente espaço físico, estar preso em algum lugar, por exemplo uma cadeia.
   Liberdade vai além disso.
   Você pode estar preso à padrões de comportamento, preso à pensamentos obsessivos, preso à vícios como álcool e drogas, preso à paixões, entre muitas outras prisões, as quais o próprio Ser Humano se coloca e se escraviza.
   Essas prisões paralisam e causam grande sofrimento mental, emocional, chegando a se refletir no físico.
   Por que você sofre com tudo isso? O que te aprisiona?
   Você tem medo do quê?
   Liberte-se para novas descobertas, liberte-se para o novo.
   Dê o primeiro passo para uma nova vida, tenha Coragem!
   Não passe uma vida em uma prisão que você mesmo se colocou!
  

segunda-feira, 6 de março de 2017

Crocodil

   Tenho ouvido muitas pessoas fazerem comentários sobre a droga mais mortal do mundo, semelhante a heroína. Estou falando da Crocodil (ou KroKodil), um narcótico de fácil acesso e de baixo custo em relação à heroína.
   É uma droga que substitui a heroína, tendo como princípio ativo a "desomorphine", que é vendida em alguns países da Europa, em substituição a morfina, sendo de 8 a 10 vezes mais potente que a morfina.
   O grande problema nisso tudo é que o dependente no momento da fissura, necessitando da droga, inclusive fisicamente, e não tendo disponível sua droga de preferência, por qualquer razão, acaba usando aquilo que é de mais fácil acesso, daí faz uso de drogas como essa.
   Para chegar a essa droga, a pessoa já deve estar fazendo uso de outras drogas, salvo algumas exceções, pois a partir do momento que se inicia o uso de algo tão mortal, dificilmente o individuo fará novamente uso de uma substância menos potente (em relação a esta, mas não menos prejudicial a saúde física, mental e emocional).
   A abstinência causa dores terríveis, contribuindo para que o uso seja cada vez mais frequente, pois este acaba sendo um anestésico, levando o individuo a um estado de degradação, o que culminará em sua morte, pois muitas complicações levaram a isso.

As máscaras caem

   Ninguém consegue manter uma mentira eternamente, cedo ou tarde, a verdade aparece.
  Com o adicto não é diferente. Apesar de acreditar ter o controle da situação e usar de mecanismos, como a manipulação, para enganar e esconder das pessoas à sua volta o seu uso, em algum momento não conseguirá agir assim.
   Isso porque a necessidade do uso se torna cada vez mais frequente, e o descontrole começa a surgir, fazendo com que, o que antes parecia fazer parte da rotina, se torne um grande problema.
   Neste momento torna-se explícito as manipulações, as mentiras, o comportamento desonesto para poder manter o vício.
   Portanto, acreditar que está sempre no controle é um auto-engano. 

quarta-feira, 1 de março de 2017

O Carnaval e suas Recaídas


   O que muitos esperam do Carnaval? -  Animação? Alegria? Folia?
   O que um dependente químico espera do Carnaval? - Animação? Alegria? Folia? E algo mais.... pode-se dizer, muito mais! O adicto quer buscar o prazer desenfreado, sem limites. Essa busca pode ser traduzida como fuga, fuga da sua realidade, das suas frustrações, das suas dores emocionais, fuga de muitos complexos.
  Esse é um momento crucial para o adicto, momento em que pode vir a tona sua fragilidade, porque nem todos conseguem abrir mão de uma vida cheia de ilusões e, dessa forma, busca a compensação através das drogas e da bebida.
   Infelizmente muitos não conseguem se divertir sem um copo na mão, pois fazem disso uma muleta para suas angústias.
   CUIDADO! Você que ainda está firme em seu propósito de abstinência, não se deixe levar pela crença de que só um pouco não faz mal; esqueça esse pouco e se agarre nos muitos benefícios que a vida abstêmio te proporciona.

   Divirta-se sempre com moderação, amando a cada dia sua abstinência!

terça-feira, 28 de junho de 2016

A Co-dependência

   O que dizer para um pai e uma mãe, quando estão no meio de um furação chamado dependência química? Quando um filho está envolvido e não aceita ajuda, acreditando que pode controlar a situação, sem se dar conta da destruição que está causando em sua volta?
   Pois para essa situação vivenciada por tantos pais de dependentes químicos, damos o nome de co-dependência, que é a doença da família.
   Volto a falar sobre o assunto devido a presenciar tantos pais que sofrem por acreditar, e tentar dar mais uma chance ao filho, na tentativa de darem mais uma chance a si próprios.
   Pais que carregam culpas e por não saberem como lidar com elas, fazem tudo o que o filho dependente químico lhes pede, sendo permissivos, cometendo os mesmos erros, numa atitude insana, em acreditar que terão resultados diferentes.
   E como profissional o que ouvimos: "Vou dar mais uma chance a ele, acredito que agora vai ser diferente, ele está prometendo que vai mudar".
  Infelizmente o auto-engano de muitos pais, contribue para a maior destruição dos filhos.
   A abstinência não deve ser baseada em promessas, o dependente químico quando aceita tratamento sabe que sua mudança será grande, e a manipulação deve deixar espaço para a honestidade.
   A família é tão doente quanto o dependente químico, e precisa de ajuda tanto psicológica, como de um grupo de apoio. É necessário buscar uma ajuda paralela e em alguns casos, mesmo que o dependente não aceite ajuda, a família deve buscar para si, pois estando fortalecida, terá condições emocionais para dizer Não quando for preciso.
 
     

segunda-feira, 21 de março de 2016

O Rei Bebê

     Costuma-se usar o termo "Rei Bebê" na dependência química para designar o adicto que carrega consigo muitas características infantis, características essas que contribuem para manter a dependência, e se o adicto não tiver consciência dessas atitudes e comportamentos, isso pode interferir seriamente em sua recuperação.
   A base da rendição na recuperação é o reconhecimento da impotência, mas a aceitação deve ser total, para que ocorra de fato uma mudança. Muitos reconhecem sua impotência, mas não a aceitam, pela necessidade e imaturidade em se manterem no controle de tudo.  
   É necessário identificar e renunciar os traços infantis para que a doença seja dominada, pois a compulsividade do Rei Bebê pode acelerar a doença ou conduzir a uma recaída.
   O Rei Bebê tenta fazer com que todas as suas necessidades sejam aceitas, o egocentrismo é uma característica muito marcante nesse comportamento, pois existe a necessidade clara de que tudo seja feito conforme sua vontade, o "mundo tem que girar ao redor do adicto".
    Algumas características muito comuns na personalidade Rei Bebê:
  -  Apresentam dificuldades com figuras de autoridade;
   - Buscam aprovação constante, tentando agir conforme o desejo do outro, e dessa forma, deixam de ter existência própria.
   - Causam uma primeira boa impressão, são gentis, mas não conseguem se manter por muito tempo assim.
   - Têm dificuldades para aceitarem que têm falhas e que podem errar.
   -  Dificilmente sentem-se satisfeitos.
   - Frequentemente se sentem sós, mesmo estando com muitas pessoas ao seu redor.
   - A culpa é sempre do outro, de tudo que acontece de ruim em sua vida.
   - Tudo tem que ser conforme sua vontade, não aceita um NÃO.
   - Potencializam todos os acontecimentos como sendo de vida ou de morte.
   - Estão presos ao passado, e sentem muito medo do futuro, pois o futuro requer amadurecimento.
   - Não conseguem fazer coisas novas, devido ao medo do insucesso e da rejeição.
   - O Rei Bebê é obcecado por coisas materiais.
   - Apresentam grande dificuldade para colocar em prática todos os seus projetos, pois costumam ter mania de grandiosidade.
   - Acreditam que as regras são para os outros e não para eles.
   - Escondem todos os seu sentimentos.
   Frequentemente estão se comparando aos outros, com um grande sentimento de falta de valor próprio, e culpa, por isso se tornam tão egoísta e exigente.
   A imaturidade é um reduto para o Rei Bebê, que faz com que este acredite que sempre tem razão, os outros é que estão errados. O controle e o domínio são necessários para o Rei Bebê sentir-se bem.
   São capazes de criarem situações de crises e confusões por não conseguirem suportar as coisas ocorrendo bem demais.
   O Rei bebê tem a auto-estima diminuída, fazendo com que sua vida seja frustrante, não consegue perceber que o inimigo está dentro de si próprio, e o uso de drogas liberta suas frustrações, raivas, ressentimentos, medos e repressões.
   Sendo assim, o Rei Bebê, não consegue imaginar sua vida sem a substância química, pois é esta que o alivia de toda a pressão imposta por ele mesmo.
 
                                                              (Trechos extraídos do livro: "Rei Bebê - Tom Cunningham)